SARNEY E EU!



por Adelécio Freitas
Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frentedo Congresso Nacional pedindo “Fora Sarney”, na hora fiquei bastante animado, encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira. No dia da manifestação me bateu uma preguiça... Após um longo dia de trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta? No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuais e bastante divulgada pelo twitter. Para a minha surpresa não existia nenhuma manchete, nem ao menos uma nota de rodapé . Resolvi entrar em uma das comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do Congresso. Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000? Que povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram??.... Não demorou muito para a ficha cair. Eles não foram pelo mesmo motivo que eu não fui. Eu esperava que “alguém” iria no meu lugar. Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu apartamento, que refletia a minha imagem. Fiquei olhando para mim e para a minha confortável inércia. Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel na sociedade. “Que bunda- mole!!!”. Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense(ou BMB). Existem bunda- moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de dizer que sou um bunda-mole federal!! Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: “De Brasília né....já tem conta na Suíça?”. Eu ficava indignado, falando que eu era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá.Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem. Eu acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade, tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para a incrível experiência de assarmos como batatas na areia... Mais BMB impossível!! Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público ( o difícil é disfarçar aquela pontinha de admiração pelo “ixperto”). Depois traçamos os planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!! Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento, precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas, vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney!!Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo, nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB´s? O que seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos secretos sem a nossa apática presença? Imaginem se no nosso lugar estivessem aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de segurança da OMC para protestarem contra a globalização. O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso entorno. Bunda-moles: Vamos exigir os nossos direitos!! Precisamos finalmente mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto dos patrocínios oficiais. Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer. Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais valiosos). Somos testemunhas do surgimento de uma geração despreparada, tanto para a cooperação quanto para a competição, sem espírito empreendedor, fadada à eterna submissão ao “salvador da pátria” de plantão. Assistimos de nossos computadores, quando estamos fazendo cera no trabalho, ao maior atentado à democracia desde o golpe de 64, mas desta vez o golpe não está sendo feito com armas. Está sendo feito com a ridicularização das instituições, com a banalização dos escândalos, com a desmoralização da ética e com a idiotização do contribuinte. A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas. O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que nos trás para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu profundo, a nossa essência. Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões. Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice. Bunda-moles de todo o país uni-vos! Vamos celebrar a nossa mediocridade, vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney! Viva Collor! Viva Maluf! Viva Roriz! Viva Renan Calheiros! Viva Jader Barbalho! Viva Romero Jucá! Viva Delúbio! Viva o presidente que não viu nada! Viva a República das bananas do Brasil! Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona porque o Jornal Nacional já vai começar.
*Por Adelécio Freitas (um BMB legítimo).
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Carta aberta, de Eliane Sinhasique, para Renato Aragão, o Didi.


Querido Didi,


Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu Nome para colar nas correspondências). Achei que as cartas não deveriam ser endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta. Não foi por 'algum' motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última Carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação. Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno e nem priorizo as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da minha família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não Mata ninguém. Muito pelo contrário, faz bem! Estudei na escola da zona rural, fiz Supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária. Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos Impostos embutidos em cada alimento, em cada produto ou serviço que preciso comprar para o sustento e sobrevivência da minha família. Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não têm a educação como prioridade. Pois a educação tira a subserviência e esse fato, por si só não interessa aos políticos no poder. Por isso, o dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? Você pode ajudar a mudar isso! Não acha? Você diz em sua Carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua Carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. Ele é 'o cara'. Ele tem a chave do Cofre e a vontade política para aplicar os recursos. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas do país, sem nenhum tipo de distinção ou discriminação. Mas, infelizmente, não é o que acontece... No último parágrafo da sua Carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da 'minha' doação, que a 'minha' doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias. Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho. Isso significa que o governo leva mais de um terço de tudo que eu recebo e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família. Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira. Outra coisa Didi, mande uma Carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os ministros e professores das escolas públicas. Só escolher quem, de fato, tem vocação para ser ministro e para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas possa desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos. Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando... Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.



P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada: vou rasgá-la antes de abrir.



PS2* Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.



PS3* E O DINHEIRO DA CPMF QUE PAGAMOS DURANTE 11(ONZE) ANOS? MELHOROU ALGUMA COISA NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DURANTE ESSES ANOS? BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) DIVULGUEM ESSA REVOLTA....
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Indignação: de senadores a deputados- a corja é a corja

A indignação nos mostra o sentido desta página. O vídeo não precisa de mais comentários

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10 semelhanças entre os modos petista e republicano de governar

PT e GOP - as semelhanças não são simples coincidênciashttp://www.2beal.org/comunidade/.

 

1.         Escuta telefônica sem autorização judicial

GOP/BUSH II: Ações do Department of Homeland Security em conluio com as companhias telefônicas.

PT/LULA: Ações da Policia Federal em conluio com ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).

 

2.         Transferência de responsabilidades

GOP/BUSH II: Guardas de Abu Ghraib.

PT/LULA: Waldomiro Diniz, Delúbio Soares e José Aparecido.

 

3.         Ocultação de documentos

GOP/BUSH II: Arquivos do Gabinete do Vice-Presidente.

PT/LULA: Compras feitas com cartões corporativos pela Presidência da República.

 

4.         Transferência para os adversários da responsabilidade pela aprovação de políticas de governo julgadas impopulares

GOP/BUSH II: Votação do Emergency Economic Stabilization Act of 2008 na Câmara dos Deputados.

PT/LULA: Reforma da previdência de 2003, simplificação do art. 192 da Constituição Federal e nova lei de falências.

 

5.         Conformação das normas conforme os negócios visados e não o contrário

GOP/BUSH II: Reuniões secretas do National Energy Policy Development Group, de 2001, com executivos da Shell, Esso, Enron, Conoco e BP.

PT/LULA: Fusão Oi-BrasilTelecom.

 

6.         Ocupação da máquina pública por quadros desqualificados

GOP/BUSH II: Designação de Joe Allbaugh para dirigir a FEMA (Federal Emergency Management Agency).

PT/LULA: Designação de Jamil Haddad para a dirigir o INCA (Instituto Nacional do Câncer).

 

7.         Demissões por motivos políticos

GOP/BUSH II: 7 Procuradores do Departamento da Justiça, na gestão de Alberto Gonzales.

PT/LULA: Luiz Guilherme Schymura, Presidente da Anatel.

 

8.         Leniência com aliados suspeitos/condenados

GOP/BUSH II: I. Lewis Libby Jr., Karl Rove e Dick Cheney no caso “Valerie Plame”.

PT/LULA: Mensalão, dossiês Serra e FHC, quebra do sigilo do caseiro, etc.

 

9.         Terceirização da política externa

GOP/BUSH II: Atuação do IRI (International Republican Institute) no Haiti.*

PT/LULA: Proeminência de Marco Aurélio Garcia nos assuntos sul americanos.

 

10.     Existência de motivos para o impeachment do Presidente

GOP/BUSH II: Abuso de poder, faltar com a verdade e violação dos direitos humanos e da Convenção de Genebra.

PT/LULA: Corrupção, evasão de divisas e violação da lei eleitoral.

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Confiança: extinção do cimentante social

Uma comunidade, sociedade ou civilização, precisa de mínimos patamares de confiança para se compreender como um conjunto humano. Mesmo com os desvios de violência ou a propulsão coletiva da competição, é na confiança que se estabelece padrões mínimos para o desenvolvimento do senso de irmandade ou sobrevivência ante a um conjunto de seres que vivem em um ambiente.


Nossas bases de confiança são-ou eram!- os padres (pedófilos), os pais (assassinos), os idealistas (ver reportagem abaixo), os professores (racistas ou xenófobo - ver diretor da faculdade de medicina da UFBA).


Não é generalização diante a milhares de religiosos sérios e que amam seu "rebanho"; milhões de pais que dariam a vida pelos seus filhos- e não as retirariam pelo simples orgulho doentio; aos idealistas e professores que gostariam de levar a sociedade a plenitude de conhecimento e liberdade. Será a mídia a detentora da deturpação de nossas referências de confiança?


Há um sentimento estranho, que não povoava nossa mente a poucos anos. Não podíamos confiar em muita gente mas haviam seres humanos acima de qualquer suspeita. Eram nossas referências. O que gostaríamos de ser. Ainda acho que eles existem...

SERÁ QUE ELE PERDE A FORÇA? (Revista Época de 05 de maio de 2008)


Paulo Pereira da Silva começou a vida como jogador de futebol. Era meio-campista no time juvenil do Londrina, clube do interior paranaense. Trocou os campos de futebol pelos palanques dos sindicatos no começo dos anos 80. Primeiro, virou o Paulinho da Força Sindical, a segunda maior liga de sindicatos do Brasil, com mais de 3 milhões de trabalhadores representados. Em seguida, com o voto desse público, elegeu-se deputado federal pelo PDT, em 2006. Hoje, é um dos políticos com maior poder e cargos na máquina federal.
Os colegas de Paulinho no Congresso Nacional brigam para ter um ou outro cargo no governo? Pois ele controla o Ministério do Trabalho. O sonho de todo político é ter influência sobre a aplicação de dinheiro público? Paulinho tem dois homens de seu grupo de confiança instalados em dois dos maiores cofres estatais do país: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES, R$ 80 bilhões para emprestar neste ano) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT, R$ 139 bilhões de patrimônio). Seu próximo alvo seria a Prefeitura de São Paulo. Seria. O sucesso de Paulinho agora parece seriamente ameaçado por sua própria ambição.
Há duas semanas, a Polícia Federal prendeu uma quadrilha acusada de exploração de prostituição e de fraudes em empréstimos no BNDES. De acordo com a PF, os integrantes do esquema procuravam políticos e empresários para oferecer acesso privilegiado a empréstimos do BNDES. Pelo suposto favorecimento, ficavam com 2% a 4% do financiamento. Paulinho não é acusado diretamente pela polícia. Mas, entre os presos, estão seu advogado, Ricardo Tosto, e seus assessores João Pedro Moura e Wilson de Barros Corsani Júnior. Em conversas telefônicas gravadas pela PF, Moura, Corsani e outros suspeitos mencionam o nome de Paulinho como uma das pessoas que receberiam parte da divisão da propina.
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Mais mil casos de corrupção

Operação Rapina: em dois dias, PF já prendeu 102
Publicada em 14/12/2007 às 23h13mRaimundo Garrone - especial para O Globo; TV Globo; O Globo Online
SÃO LUÍS - A Operação Rapina, que investiga desvio de dinheiro da educação e da saúde no Maranhão e no Piauí, já prendeu 102 pessoas, entre elas estão oito prefeitos e seus secretários de Saúde e Educação, na maioria parentes. Eram nessas secretarias que acontecia o maior número de licitações forjadas para justificar desvios de recursos da União. Ainda faltam ser cumpridos 16 mandados de prisão, como o da prefeita de Tufilândia, Marinalva Madeiro Sobrinho (PSB), e de seu secretário de Educação, Edirson Moraes Salazar, já considerados foragidos.
A PF ainda não contabilizou os valores totais encontrados em dinheiro com os acusados. Na casa do prefeito de Tuntum, Cleomar Tema, foram apreendidos 20 mil dólares. Na residência de um funcionário do Tribunal de Contas do Estado (TCE), cujo nome não foi revelado, havia R$ 70 mil. Muitos presos já confessaram e denunciaram cúmplices
O superintendente da PF no Maranhão, Gustavo Gominho, disse que a operação poderá ter desdobramentos já que mais de metade dos presos aceitaram o benefício da delação premiada:
- Muitos já confessaram e abriram o jogo. Então, aqueles que fazem parte desse esquema podem nos aguardar - afirmou o policial.
A Polícia Federal já tem provas de que as fraudes vinham acontecendo há mais de 20 anos no Maranhão, e calcula que o esquema desviou R$ 1 bilhão em dez anos.
No apartamento do presidente da Federação dos Municípios do Maranhão - Cleomar Tema, que também é prefeito de Tuntum - os agentes federais encontraram documentos relacionados a licitações. Na casa da prefeita de Tufilândia, Marinalva Sobrinho - que ainda está foragida - os policiais apreenderam um carro e uma lancha avaliada em mais de R$ 100 mil.
A Polícia Federal diz que, para justificar os gastos, os políticos fraudavam licitações, e empresas fantasmas forneciam notas falsas para prestar contas de serviços não realizados.
" Essa quadrilha, na realidade, não era comandada pelos prefeitos; era comandada por um grupo de contadores que montava todo esse esquema de fraude "
- Essa quadrilha, na realidade, não era comandada pelos prefeitos; era comandada por um grupo de contadores que montava todo esse esquema de fraude - afirmou Gustavo Gominho, da Polícia Federal.
O advogado dos prefeitos detidos considera as prisões desnecessárias, já que os prefeitos têm endereço fixo, e deve pedir o relaxamento das prisões temporárias.
Foram presos os prefeitos Aldenir Santos (PV), do município de Urbano Santos; José Cardoso do Nascimento (PSC), de Araioses; Francimar Marcolino da Silva (PMDB), de Governador Newton Belo; Iara Quaresma (PDT), de Nina Rodrigues; Luís Gonzaga Muniz Fortes (PT do B), de São Luís Gonzaga; José Teixeira Noronha (PMDB), de Paulo Ramos; Maria Sônia Campos (DEM); de Axixá, e Cleomar Tema (PSB) de Tuntum.
A prisão do prefeito de Tuntum foi a de maior repercussão, por ser ele o presidente da Federação dos Municípios do Maranhão. Na operação, foram mobilizados aproximadamente 600 policiais federais, lotados nos estados do Maranhão, Piauí, Pará, Pernambuco, Distrito Federal, São Paulo, Amapá, Roraima, Rondônia e Amazonas.
As investigações, iniciadas em janeiro de 2006, revelaram que o grupo criminoso fraudava licitações, utilizava notas fiscais falsas e empresas de fachada para obter vantagem nos processos licitatórios financiados pela União por meio de convênios, fundos e planos nacionais.
As ações ocorrem em 14 municípios no Maranhão e três no Piauí. Participam da operação, 22 analistas da CGU. Os presos responderão por falsificação de documentos, falsidade ideológica, peculato, estelionato, formação de quadrilha, fraude em licitação, corrupções ativa e passiva, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
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Corrupção eleitoral é porta de acesso para improbidade administrativa, alerta juiz

O que mais me entristece não é a estrutura legal de nosso País. Se analisarmos sem preconceitos, temos leis modernas e admiradas por outras federações bem mais "evoluídas" no seu histórico democrático e cultural do ponto de vista jurídico.
Cito o código de defesa do consumidor, o código de proteção ao idoso, as leis que condicionam o mercado de capitais, o código nacional de trânsito, etc.

Perguntamos: por que não um avanço significativo em reformas políticas e de logística judiciária? Por que não se pensar em uma reforma legal e executiva do sistema de tributação? Por que não superar determinados joguetes que envolvem proteção à corrupção como o foro privilegiado, ou iniputabilidade prática de um política criminoso simplesmente renunciando a cargos eleitos, ou o troca-troca partidário... Evolua Brasil. Evolua povo brasileiro que em sua grande maioria desconhece as monstruosidades ao seu redor ou reclama, não da latrina sócio-política de nossa nação, mas por quê não está envolvido na mamata...





Alex Rodrigues / Agência Brasil
“A corrupção eleitoral é a porta de acesso da improbidade administrativa”. A definição é do presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abrampe), Márlon Reis, ao explicar a relação entre a compra de votos, o uso eleitoral da máquina administrativa e as outras formas de corrupção.
“Lutamos contra a corrupção eleitoral porque esta é uma forma de impedirmos que pessoas que vão praticar a improbidade administrativa cheguem ao poder”, afirmou Reis ao participar de ato realizado neste domingo, 9, em Brasília, pelo Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), pelo Dia Internacional contra a Corrupção.
Reis defendeu que o Congresso Nacional precisa ouvir “de forma mais eficiente” a vontade da sociedade por mudanças efetivas no sistema eleitoral. Ele adiantou que organizações não-governamentais (ONGs) e entidades de classe que integram o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral já estudam recorrer ao mecanismo do projeto de lei de iniciativa popular para assegurar as mudanças que julgam necessárias.
“Queremos ir mais longe, transplantando esse exemplo para níveis mais elevados da legislação eleitoral. Quem sabe não saia um novo projeto de lei que nos permita levar ao Congresso a proposta da sociedade para um novo sistema eleitoral”, disse.
Os projetos de iniciativa popular surgem da apresentação de um abaixo-assinado à Câmara dos Deputados por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, e distribuído por pelo menos cinco estados, com não menos de 0,3% dos eleitores de cada estado.
Foi por meio do projeto de iniciativa popular que movimentos organizados conseguiram fazer aprovar a Lei Nº 9.840, de 1999, que estabelece sanções como a cassação do mandato para políticos que descumprirem a legislação eleitoral.
Reis lembrou que a Lei Nº 9.840 foi criada a partir de uma Campanha da Fraternidade, realizada em 1996.
“Ao longo da campanha, verificou-se que havia uma grave distorção nas eleições devido à compra de votos e ao uso da máquina administrativa. Assim, optou-se por realizar um projeto de lei de iniciativa popular”. Segundo Reis, 623 políticos tiveram seus mandatos cassados desde que a lei foi sancionada.
“A grande lição é que quando as pessoas resolvem fazer algo e se unem umas as outras, podem levar o parlamento a criar uma lei como essa. E fazer com que os outros órgãos, inclusive o Poder Judiciário, a aplicar a lei”.
Reis, no entanto, defende que o maior mecanismo contra todas as formas de corrupção é a mobilização social. “Não adianta a criação de leis, de novas organizações públicas. O que realmente muda é quando a sociedade descruza os braços. O resultado da legislação eleitoral é mais efetivo quando a população apresenta denúncias e se rebela”.
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